Disclaimer: texto contém termos técnicos e o ponto de vista de uma pessoa.


Olá, para você que está chegando, eu sou Renata, sou nutricionista e atuei durante anos em hospitais públicos e privado. Nessa minha trajetória, sempre fui apaixonada por cuidar do paciente crítico, para quem não sabe, dentro de hospital, o primeiro item da prescrição é justamente a dieta. 


Durante a pandemia, a vivência de UTI foi de 10 leitos para 20 leitos supervisionados do ponto de vista nutricional. Foi um grande desafio com uma doença que pouco entendiamos. Podemos dizer que não foi um pulo, mais um salto de vara sem o colchão do outro lado para amortecer a queda. Sim, foram grandes desafios e muito aprendizado para ciência da nutrição como um todo. Levantou-se discussões importantes quanto até onde manter dieta enteral no choque, instabilidade hemodiâmica, lesão por pressão, controle glicêmico, auto-fagia, hemodiálise, neuropatia do doente crítico, doente crítico crônico, Fraqueza adquirida na unidade de terapia intensiva, intolerância intestinal, falência de órgãos e por aí vamos... Quantos nomes difíceis certo?


Após essa fase difícil de COVID-19, vieram outros casos desafiadores, casos cirúrgicos, traumas graves, casos oncológicos... O que todos eles têm em comum é o risco elevado de desnutrição e sarcopenia. São pessoas que passam por uma inflamação muito grave e o corpo realmente consome aquilo que ele tem para tentar sobreviver. Os momentos de nutrir na UTI, muitas vezes devem ser bem ponderados, dieta, proteína, tudo isso vai depender da fase da doença crítica e estado clínico desse paciente, ou seja, podem ser dias e semana sem poder dar o básico para o corpo se manter, pois até o básico pode ser de mais a depender do timing.


Foi ver como esses doentes saiam da UTI debilitados, totalmente dependentes de cuidados complexos que me vi atuando anos depois em reabilitação. Que fase deliciosa de se trabalhar sendo nutricionista! É o momento em que eu sei exatamente tudo o que ele passou e o desafio imenso que é nutrir um paciente pós-UTI. É o momento em que o corpo aceita maiores doses de terapia nutricional, em que iremos cicatrizar feridas e reabilitar músculos, em que a pessoa vai recuperando sua consciência após dias em uso de sedação, é o momento em que vemos a pessoa reaprendendo a fazer coisas como falar, andar, comer... recuperar aos poucos sua funcionalidade! E sinceramente, é um caminho longo, que se bem conduzido pode ser menos pesado. Sentia falta de poder ajudar as pessoas após a alta hospitalar, eu sei o quanto esse acompanhamento após a alta é essencial e fundamental não apenas para a recuperação mas também para reduzir chance de voltar para o hospital.


E é por isso que hoje eu tenho a maior alegria em atender essas pessoas após a alta, avaliar aquilo que faz mais sentido para o indivíduo, para a família e tentar trazer mais conforto ao longo dessa jornada! Vale lembrar que trabalhar com reabilitação nunca é um trabalho solitário, é trabalhar em conjunto com a equipe que você escolheu para o seu cuidado, por isso, conte comigo para articular cada etapa com sua equipe de fisioterapia, cuidadores, médicos, etc!